quinta-feira, 29 de setembro de 2011

aula: Complexo de Édipo e Superego na visão kleniana

Complexo de Édipo e Superego

Freud:
Freud preconiza a situação edípica como uma das problemáticas funda­mentais à teoria psicanalítica, visto que este é o momento no qual se dará a constituição do sujeito. Nesse sentido, como aponta Moreira (2004), a importância da passagem pelo Édi­po e sua condição estruturante nos remete a pensar a constituição do sujeito a partir da incontestável presença do outro. Ora, se a triangulação edípica não prescinde da exis­tência de um casal de pais, seja real ou sim­bólico, torna-se imperativo a inscrição do outro na estruturação do sujeito.

O sujeito, por conseqüência do que é vivenciado no Édipo, sai com determinadas identificações. É a par­tir destas identificações que será possível a constituição do superego.

“O superego resulta de um processo identificatório com a lei, da qual o pai é o representante.” (Moreira, 2004, p. 224).

A dissolução do Complexo de Édipo desempenha papel fundamental na estru­turação da personalidade e na orientação do desejo humano, além de ser a principal temática de referência no que diz respeito às psicopatologias.

Freud concedeu ao complexo de castração o eixo central para a compreensão do Complexo de Édipo. Dife­rentemente, Melanie Klein descreveu a situ­ação edípica com foco nas fantasias primá­rias.

Klein:
A hipótese do superego arcaico já havia obrigado Melanie Klein a antecipar o início do complexo de Édipo para o começo do segundo ano de vida. Mais tarde, ela desvincularia o surgimento do superego arcaico da questão edípica e acabaria por antecipar o próprio complexo de Édipo em sua dimensão mais arcaica para os seis meses de idade, quando surge a primeira "posição depressiva".

Segundo Klein (1945/1996), o Com­plexo de Édipo começa paralelamente com início da “posição depressiva”, uma vez que é nesta fase que os sentimentos amorosos passam a ocupar cada vez mais espaço, no lugar dos sentimentos persecutórios e des­truidores, característicos da “posição es­quizoparanóide”. E seu declínio coincidirá exatamente com a prevalência dos sen­timentos característicos da “posição depres­siva”, o amor da criança pelos pais, o desejo de preservá-los e não mais de destruí-los. Isto torna visível como é central a questão edipiana no desenvolvimento da criança, já que a transição da “posição esquizoparanói­de” para a “posição depressiva” se dá neste contexto e é favorecida por ele. Os impulsos sexuais são direcionados para uma forma de reparar efeitos da agressividade, o que induz ao nascimento de fantasias reparado­ras, de extrema importância para a sexuali­dade adulta.

Klein (1925/1996) ainda afirma que os sentimentos de culpa têm origem nos de­sejos sádico-orais, e não são conseqüências do Édipo, mas sim um dos fatores que acompanham o desenvolvimento edipiano.

Já a origem do Superego, como afirma Marta Rezende (2002), se localiza já nos primeiros es­tágios do conflito edípico. Sua formação se inicia desde muito cedo, “e o que faz com que ele apareça é o advento do Complexo de Édipo” (Cardoso, 2002, pág. 55.).

Melanie (1945/1996) revela que a criança introjeta objetos em cada fase de sua organização li­bidinal, e o superego é construído a partir destes elementos introjetados. “O superego se desenvolve a partir dessas figuras introje­tadas – as identificações da criança – influen­ciando, por sua vez, a relação com os pais e todo o desenvolvimento sexual.” (Klein, 1945/1996, págs 463-4).

Como Melanie Klein descreveu a situ­ação edípica com foco nas fantasias primá­rias, pode-se dizer que, ao conseguir distinguir objetos to­tais, a existência dos pais como pessoas que possuem seus próprios desejos e que se voltam para outros campos que não a crian­ça, essa começa a direcionar seus impulsos e fantasias a estes, o que instala o cenário para o início do Complexo de Édipo.

Assim, é possível verificar a relação intrínseca entre o desenvolvimento edipia­no e a formação do superego, e entre estes fatores e a passagem da “posição esquizopa­ranóide” para a “posição depressiva”, fatores esses que incidirão diretamente da estrutu­ração da personalidade do sujeito.

De acordo com Fi­gueiredo e Cintra (2008), é a partir do atra­vessamento da posição depressiva e a so­lução do complexo edipiano que o sujeito amplia a capacidade de experimentar rela­ções complexas e ambivalentes com obje­tos integrais, admitindo a relativa autonomia destes objetos e suas ligações com os outros e com eles próprios.

Há uma alternância entre objetos internos e ex­ternos ao se perceber a realidade, por parte do bebê, o que interliga intrinsecamente o complexo de Édipo à formação do supere­go.

A partir da análise de crianças pequenas (3 a 6 anos), Klein pôde constatar que as tendências edipianas são despertadas pelo desmame (entre o primeiro e o segundo ano de vida). Esta frustração oral é reforçada pelas subseqüentes frustrações anais e também pelas diferenças anatômicas que existem entre os sexos, o que faz necessário explicar o desenvolvimento do menino e da menina separadamente.

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